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RESOLUÇÃO
SMA Nº 55, de 13 DE OUTUBRO DE 1995
O Secretário do Meio Ambiente,
Resolve:
Art. 1º . Fica criado, na Coordenadoria
de Licenciamento Ambiental e Proteção
de Recursos Naturais CPRN, um Grupo Técnico
de apoio às unidades de licenciamento,
com atribuição de analisar
e emitir pareceres técnicos, a fim
de subsidiar o licenciamento nos seguintes
casos: Empreendimentos, obras ou atividades
a serem implantados em áreas recobertas
por formações remanescentes
de campo limpo de cerrado e campo úmido
de cerrado em áreas superiores a
1,0 ha.
Empreendimentos, obras
ou atividades a serem implantados em áreas
recobertas por formações remanescentes
de campo cerrado em áreas a 10,0
ha.
Corte, supressão ou exploração
sob a forma de manejo, de formações
primárias e nos estágios médio
e avançado de regeneração
de cerradão e cerrado "Strictu
sensu" de áreas superiores a
20,0 ha em zonas rurais, e superiores a
10,0 ha em zonas urbanas, quando integrantes
de maciços com mais de 50,0 ha.
Parágrafo único . Aplicar-se-ão
para fins de licenciamento e fiscalização
as definições para as formações
de cerrado contidas no Anexo.
Art. 2º . As unidades licenciadoras
da administração direta desta
Secretaria deverão submeter à
análise do Grupo Técnico todo
e qualquer empreendimento cujo principal
e significativo impacto esteja associado
a supressão de qualquer das formações
de cerrado nas situações previstas
no art. 1º desta Resolução.
Art. 3º . O Grupo Técnico será
coordenado por um representante do DEPRN,
designado por seu Diretor Geral, e constituído
por:
um representante do IF/SP;
um representante do IBt/SP;
o responsável, no DEPRN, pela Equipe
Técnica da área em que se
localiza o empreendimento a licenciar;
o responsável, no DAIA, pela área-atividade
a ser licenciada; e,
um representante da Assessoria Executiva
do PROBIO/SP.
Parágrafo 1º . Os representantes
do IF/SP, IBt/SP e PROBIO/SP, serão
designados por seus dirigentes.
Parágrafo 2º . Os responsáveis
referidos nas letras c) e d) poderão
designar outro servidor da área,
que tenha conhecimento da questão.
Parágrafo 3º . Poderão
ser convidados para as reuniões de
análise, especialistas de outras
Instituições, bem como técnicos
de outros órgãos da SMA, quando
o Grupo Técnico entender conveniente.
Art. 4º . Esta Resolução
entrará em vigor na data de sua publicação.
ANEXO 1
Para os efeitos desta Resolução,
entende-se por:
Vegetação de Cerrado como
sendo um complexo de vegetações
referido como Savana no Mapa de Vegetação
do Brasil, IBGE 1988, com fisionomias e
composição florística
variáveis, sistemas subterrâneos
muito desenvolvidos e/ou profundos, geralmente
ocorrendo sobre solos álicos, altamente
intemperizados como latosolos e areias Quartozas,
ou ainda em Cambissolos em paisagens morfogeneticamente
envelhecidas, sob climas estacionais; as
fisionomias variam desde semelhantes a florestas
(Cerradão) até semelhantes
a pradaria (Campo Limpo), de aspecto geral
esclerormofo; as árvores e arbustos
temeixos aéreos retorcidos, casca
grossa, folhas grandes e pilosas, podendo
ser decíduos na estação
seca; as ervas, predominantemente graminóides
cespitosas, e subarbustos geralmente perdem
total ou parcialmente a parte aérea
na estação seca; a sinusia
arbórea, quando presente, é
rica em espécies de Leguminosae,
Bignoniaceae, Myrtaceae, Melastomataceae,
Anacardiaceae, Sapindaceae, entre outras,
a sinusia arbustiva, quando presente, é
rica em espécies de Rubiaceae, Melastomataceae,
Malpighiaceae, Verbenaceae, Flacourtiaceae,
entre outras; a sinusia herbácea,
quando presente é rica em espécies
de Poaceae (Graminae), Asteraceae (Compositae),
Cyperaceae, Arecaceae (Palmae, palmeiras
acaules), Euphorbiaceae, Amaranthaceae,
entre outras.
Encontra-se como elementos da fauna frequentemente
associados, as seguintes espécies:
tamanduá-bandeira (Myrmecophaga trydactyla),
tatu-bola (Tolypeutes tricinctus), tatu-canastra
(Priodontes giganteus), cervo (Blastocerus
dichtomus), veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus),
lobo-guará (Chryscyon brachyurus),
cachorro-vinagre (Speothos venaticus), onça
pintada (Panthera onca), ariranha (Pteronura
brasiliensis) e a lontra (Lutra platensis).
I - CERRADÃO:
Cerradão e estágio avançado
de cerradão - a vegetação
de Cerrado com fisionomia dominada por árvores
(plantas lenhosas com altura total maior
que 2 metros e sem ramificações
próximas à base), com sinúsias
arbóreas e arbustivas diferenciadas,
podendo ou não haver também
uma sinúsia herbácea; as árvores
apresentam altura média em geral
entre 8 e 12 metros, com cobertura (projeção
vertical das copas) maior que 60% da área
do solo. Entre as espécies mais características
citam-se: anjico (Anadenanthera falcata),
sucupira-do-campo (Bowdichia virgilioides),
jatobá-do-campo (Hymenaea stigonocarpa),
Ipê (Tabebuia spp.), abiu-do-cerrado
(Pouteria spp.), pau-terra (Qualea spp.),
jacarandá-do-campo (Machaerium acutifolium,
Dalbergia miscolobium), bicuíba ou
ucuúba-do-cerrado (Virola sebífera),
faveiro (Pteredon pubescens), açoita-cavalo
(Luehea paniculata), brasa-viva (Myrcia
lingua), canela (Ocotea spp.), capitão-do-campo
(Terminalia argentea), falso-óleo
ou balsamin (Diptychandra aurantiaca), negamina
(Siparuna guianesis), paina-do-campo (Eriotheca
spp.), pau-santo (Kielmeyera spp.), tingui-do-cerrado
(Magonia pubescens), cinzeiro ou pau-de-tucano
(Vochysia tucanorum). ?Estágio médio
de regeneração de Cerradão
- as fisionomias de cerrado com sinúsias
arbóreas e arbustivas diferenciadas
de uma sinúsia herbácea, com
árvores mais ou menos espaçadas,
mas com cobertura maior que 10%, e altura
média ao redor de 4 a 8 metros, cobertura
arbustiva maior que 40% e um grande número
de plantas arbóreas jovens. Mesmas
espécies do estágio avançado.
?Estágio inicial de regeneração
de cerrado - a vegetação predominantemente
herbácea, da qual se diferenciam
sinúsias arbustiva e arbórea,
sendo a última composta por indivíduos
esparsos, com altura média entre
2 a 4 metros, formando uma cobertura de
até 10% da área do solo. Mesmas
espécies do estágio avançado.
II - CERRADO STRICTO SENSU:
Cerrado stricto sensu e estágio avançado
de Cerrado stricto sensu - a vegetação
de Cerrado com fisionomia dominada por árvores,
com sinúsias arbóreas, arbustivas
e herbáceas diferenciadas; as árvores
podem ser mais ou menos esparsas, mas cobrem
no mínimo 10% da área do solo,
de alturas médias em geral entre
4 a 6 metros; os arbustos (plantas lenhosas
com altura total entre 0,5 e 2,0 metros,
com ou sem ramificações próximas
à base) cobrem pelo menos 40% da
área do solo; a sinúsia herbácea
é geralmente descontínua,
cobrindo no máximo 50% da área
do solo. Entre as espécies mais características
citam-se: fruta-de-lobo (Solanum lycocarpum),
marolo (Annona spp.), biribá (Duguetia
furfuracea), mercúrio-do-campo (Erythroxylum
spp.), caroba, carobão, carobinha
(Jacaranda spp.), Ouratea spp., peroba-do-campo
(Aspidosperma tomentosum), barbatimão
(Stryphnodendron spp.), fruta-de-ema (Couepia
grandiflora), falso-barbatimão (Dimorphandra
mollis), Licania humilis, lixeira (Curatella
americana), murici (Byrsonima spp.), pequi
(Caryocar brasiliense), unha-de-vaca (Bauhinia
?spp.) e Angico (Anadenanchera falcata).
Citam-se como aves bioindicadoras deste
ambiente: gralha-do-cerrado (Cyanocorax
cristatellus), suiriri-do-cerrado (Suiriri
affinins), chibum (Elaenia chiriquensis),
beija-flor-de-canto (Colibri serrirostris),
picapau-chorão (Picuides mixtus),
arapacu-do-cerrado (Lepidocolaptes angustirostris)
e choca-de-asa-ruiva (Thamnophilus torquatus).
Estágio médio de regeneração
de Cerrado stricto sensu - a vegetação
predominante herbácea, da qual se
diferenciam sinúsias arbustiva e
arbórea, sendo a última composta
por indivíduos esparsos, com altura
média entre 3 e 4 metros, formando
uma cobertura de até 10% da área
do solo. Mesmas espécies do estágio
avançado. ?Estágio inicial
de regeneração de cerrado
strictu - a vegetação predominante
herbácea, da qual se diferenciam
sinúsias arbustiva e arbórea,
sendo a última composta por indivíduos
esparsos, com altura média entre
2 e 3 metros.
III - CAMPO CERRADO
Campo Cerrado - a vegetação
de Cerrado com fisionomia dominada por ervas
graminóides nativas cespitosas de
cobertura maior que 50%, com altura total
que pode chegar a pouco mais de 1,5 metros,
distinguindo-se uma sinúsia Campo
limpo de cerrado - a vegetação
de Cerrado dominada por ervas graminóides
nativas cespitosas, de cobertura maior que
70%, apresentando também subarbustos
que não se destacam da sinúsia
herbácea, cuja altura pode chegar
a pouco mais de 1,5 metros. Como espécies
mais características citam-se: capim-barba-de-bode
(Aristida spp.), capim-do-cerrado (Andropogon
spp.), capim-flexinha (Diandrostachya spp.,
Echinolaena spp., Tristachya spp., Hyptis
spp., Panicum spp., Paspalum spp. e Vernonia
spp.) grama-do-cerrado (Axonopus spp.).
Como aves bioindicadoras mais características
citam-se: tico-tico-mascarado (Coryphaspiza
melanotis), corruira-do-campo (Cistothorus
platensis), caminheiro-grande (Anthus nattereri).
V - CAMPO ÚMIDO DE CERRADO
Campo úmido de cerrado - a fisionomia
de Cerrado dominada por vegetação
herbácea nativa em solos hidromórficos,
encharcados durante a estação
chuvosa, podendo formar uma faixa paralela
à mata de galeria. Como espécies
mais características, citam-se: Xyris
spp., Drosera spp., Lycopodium spp., além
de espécies brejeiras de Cyperaceae
e Poaceae (Gramineae). Entre as aves bioindicadoras
mais caracteríticas, citam-se: caboclinhas
(Sporophila spp.), sanã-ocelada (Micropygia
schomburgkii), galito (Alectrurus tricolor),
dragão-do-brejo (Pseudoleistes guirahuro),
narcejão (Gallinago undulata).
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